Entenda
o que é EMI e o que podemos fazer para minimizar os seus efeitos
Antes de
mais nada, devemos lembrar que as ondas eletromagnéticas são constituídas por
dois campos perpendiculares entre si, o campo elétrico E e o magnético H.

EMI
EMI
é a interferência causada sobre um meio físico ou sobre a transmissão ou
recepção de sinais devido ao acoplamento de campos elétrico ou magnético,
separadamente, ou devido ao efeito da combinação dos dois. A EMI se propaga
pelo espaço, como ondas de rádio, se comportando como esta. Ou seja, EMI é a ocorrência de alterações funcionais em um determinado
equipamento devido a sua exposição a campos eletromagnéticos.
EMC
EMC é a capacidade que um circuito ou sistema deve
possuir com a finalidade de que em seu funcionamento normal, este não introduza
EMI indesejável em um ambiente, ou seja afetado por for fontes internas ou
externas geradoras de EMI.
Consequentemente, podem-se realizar testes de:
Interferência Eletromagnética - EMI (Eletromagnetic
Interference) o qual tem por objetivo verificar o adequado
funcionamento de um equipamento e seus subsistemas quando expostos ao perfil de
ondas eletromagnéticas que encontrarão uma vez em operação.
E o teste de Compatibilidade Eletromagnética - EMC
(Eletromagnetic Compatibility) que tem por objetivo verificar se os
subsistemas operam adequadamente quando expostos aos campos eletromagnéticos
criados por eles próprios. Eventuais situações em que um subsistema interfira
no funcionamento do outro são detectadas através deste ensaio. Ou ainda a
emissão de “radiação” eletromagnética.
Campos eletromagnéticos (ou ondas eletromagnéticas) resultam da
combinação de um campo magnético e
um campo elétrico, ambos variantes
no tempo (oscilantes), em planos perpendiculares.
Hoje em dia torna-se uma questão de
sobrevivência, adequar todos os equipamentos as normas de EMC, o mercado
americano é um dos mais exigentes e para que qualquer equipamento seja aceito
nos EUA, deve possuir diversos certificados de qualidade e atender diversas normas.
Então abordamos aqui, da forma mais esclarecedora possível, o que é e como
podemos fazer para minimizar os efeitos de interferências eletromagnéticas.
Sabe-se que todo circuito eletrônico gera EMI, porém os que operam em
freqüência acima de 10kHz e com tensões elevadas em relação a corrente elétrica
são os grandes geradores de EMI, ou seja: instrumentos, máquinas ou aparelhos
que geram ondas de alta impedância (campo E grande) “poluem” mais o meio
ambiente com esta interferência.
A radiação
de campos eletromagnéticos no espaço é a forma mais eficiente de transmissão de
energia e informação (através da modulação da onda portadora). O alcance e a
capacidade de transportar energia e/ou informação dependem da freqüência do campo eletromagnético, da
sua potência e da eficiência do acoplamento entre emissor e receptor.
Existem vários orgãos internacionais que
visam a padronização e a fiscalização de EMI, emitindo certificados de
conformidade (“compliance”) dentre eles temos:
EN, FCC, SABS, AS/NZS, CE,
IEC, TÜV, etc.
Todas estas entidades
estabelecem normas similares, e podemos citar:
· Todas elas estabelecem limites de EMI
fornecida ao meio ambiente, estes valores limite, dependem do aparelho. Estão
por exemplo na “Part 15/FCC”
· Igualmente aos limites para transmissão de
EMI, o equipamento deverá apresentar uma imunidade mínima a recepção desta, com
a finalidade de que seu funcionamento esteja garantido, os equipamentos mais
críticos nestes tópicos são os equipamentos médicos e de navegação.
· Em um equipamento, a EMI gerada em seu
interior, não deverá interferir em outro circuito do mesmo equipamento, a isto
chamamos de crosstalk (diafonia) – Efeito mais freqüente em aparelhos ou
instrumentos com grande densidade de placas e cabos em seu interior (mais
detalhes adiante).
Terminologia empregada:
· Ruído eletromagnético: fenômeno eletromagnético variável no tempo que não transporta
aparentemente nenhuma informação, e que pode se superpor ou combinar com um
sinal desejado;
· Emissão (eletromagnética): fenômeno pelo qual uma energia eletromagnética
emana de uma fonte;
· Interferência eletromagnética: qualquer fenômeno eletromagnético que pode degradar o desempenho
de um equipamento e/ou sistema. Uma interferência pode ser um ruído
eletromagnético, um sinal indesejado ou uma mudança no próprio meio de
propagação;
· Degradação (de desempenho): desvio indesejado do desempenho operacional de
qualquer equipamento e/ou sistema em relação ao desempenho pretendido. Pode ser
decorrente de uma falha temporária ou permanente;
· Compatibilidade
eletromagnética: habilidade de um equipamento
e/ou sistema funcionar satisfatoriamente, sem produzir perturbações
eletromagnéticas intoleráveis neste ambiente;
· Imunidade: capacidade de um equipamento e/ou sistema funcionar sem
degradação na presença de uma perturbação eletromagnética;
· Susceptibilidade (vulnerabilidade eletromagnética): impossibilidade de um equipamento e/ou
sistema funcionar sem degradação na presença de uma perturbação
eletromagnética. É a ausência de imunidade;
· Descarga eletrostática: transferência de carga elétrica entre dois corpos de potencial
eletrostático diferente colocados na proximidade um do outro ou diretamente em
contato.
O espectro eletromagnético
Uma
propriedade importante dos campos eletromagnéticos é a sua freqüência (medida em hertz –Hz, ou ciclos por segundo).
Os
campos com as freqüências mais baixas (abaixo de 3 kHz) são chamados ELF (extra low frequency). São gerados por máquinas elétricas e linhas de transmissão de energia (60 Hz).
Freqüências
na região de kHz e MHz são chamadas rádio
freqüências (RF), e são usadas para telecomunicações (rádio, TV, etc.). Há
uma divisão arbitrária em faixas de freqüência com diversas siglas para
particularizar faixas: EHF, SHF, UHF, VHF, HF, MF, LF e VLF.
Além
dos equipamentos de radiodifusão, os computadores
também emitem RF na faixa de kHz, além dos campos associados à sua
alimentação c.a.
As freqüências na faixa
de muitos MHz e GHz (chamada faixa de microondas)
são usadas para telefonia celular, fornos de microondas e Radar.
A
faixa de radiações acima das
microondas e abaixo da luz visível é
chamada infra-vermelho. Este tipo de
radiação eletromagnética é o calor radiante
emitido por objetos quentes.
A
luz visível é uma faixa estreita de
freqüências em torno de 1015 Hz, perceptível pelos nossos olhos. A região
espectral acima da luz visível recebe os seguintes nomes, de acordo com as
freqüências crescentes: ultra-violeta,
raios-X, raios gama, radiação nuclear.
Nesta faixa de freqüências, as radiações são chamadas ionizantes (e abaixo deste limite são chamadas não ionizantes).
Radiações
ionizantes contêm muita energia em
seus quanta (fótons), podendo
deslocar elétrons das camadas mais exteriores dos átomos que atingem. Esses
átomos ionizados são muito reativos, e os elétrons deslocados (também chamados
“radicais livres”), quando
participam de reações enzimáticas, aumentam o risco de dano cromossômico, anomalias
fetais e câncer.
As
radiações não ionizantes não possuem energia suficiente para deslocar elétrons
de suas órbitas, e os efeitos biológicos são devidos a outros mecanismos
(calor).
O
homem modificou o ambiente de exposição a campos eletromagnéticos mais do que
qualquer outro aspecto do ambiente. Com o advento das telecomunicações, a densidade
de ondas no espaço é agora muitos milhões de vezes maior que os níveis
originais na mesma região espectral.
Uma
preocupação séria foi manifestada pelo Parlamento Europeu quanto às densidades
de radiações emitidas atualmente, tanto em altas como em baixas freqüências (os
países mais desenvolvidos emitem níveis tão elevados de potência em baixas
freqüências que podem ser detectados pelos satélites).

As causas de interferências eletromagnéticas
(EMI) são basicamente provenientes de dois meios, o externo e o interno.
As fontes externas são de controle mais
difícil, enquanto que as internas podem ser vencidas mais facilmente
adequando-se os circuitos eletrônicos com proteções, caixas, blindagens ou
cabeamento de forma a termos um circuito em concordância com EMC. A EMI esta em
sua grande maioria, mais presente no ambiente industrial.
Entre as grandes fontes de distúrbios,
podemos citar:
Internas Externas
Fontes de alimentação Linhas
de força
Circuitos de clock Descargas
elétricas atmosféricas
Falhas na blindagem Transmissores
de rádio freqüências
Falhas no aterramento Chaveamento
de cargas
Falhas no lay-out das placas Explosões
solares
Falhas de cabeamento Ruídos
cósmicos
Inversores de freqüência
Descargas eletrostáticas
Telefones celulares
Linhas de transmissão de alta tensão
etc.
Os grandes geradores de EMI são
principalmente os dispositivos elétricos e/ou eletrônicos que operem com PWM,
como inversores de freqüência ou fontes chaveadas de alta potência, com valores
a cima dos 10kHz. Sabe-se que reduzir esta freqüência em alguns casos é
praticamente impossível, em virtude de perdas que ocorrem, mas no caso de
motores que trabalhem com inversores de freqüência, a única desvantagem seria
um aumento no ruído sonoro do motor, não prejudicando-o em nada, seu
funcionamento.
As principais falhas, defeitos e efeitos
causados por componentes de EMI podem ocorrer:
Comunicação entre PCs e
máquinas ou equipamentos falharem
Erros na execução de
programas (em processadores)
Queima de circuitos
eletrônicos (inclusive novos)
Falhas esporádicas e que
não obedecem uma determinada lógica
Sinalizações erradas
(equipamento sinaliza sem motivo)
Perda de sinal entre
comunicação ou ruído no sinal (inclusive de RF)
Desgaste prematuro de
motores (devido a indução da corrente elétrica)
Efeito “chuvisco” em
aparelhos de TV, entre outros.
Acoplamento (Background)
Basicamente as formas de acoplamento para
transferências de EMI são feitas de quatro formas:
· Acoplamento condutivo
· Acoplamento capacitivo (E)
· Acoplamento indutivo (H)
· Acoplamento eletromagnético (E, H)
Diafonia
(Crosstalk) – É a interferência eletromagnética entre sinais que se propagam
por diferentes pares dentro do mesmo cabo ou entre pares de cabos adjacentes.
Um exemplo seriam sinais de comunicação onde ocorrem somente o Tx e o Rx como a
RS-485, onde o par de fios é trançado, visando minimizar os efeitos de
crosstalk.

Crosstalk NEXT e FEXT

Os efeitos da EMI sobre equipamentos ou
meios de comunicação são a introdução do ruído de alta freqüência, mais
caracterizado em meios de comunicação, o que pode induzir os circuitos a falhas ou a erros de leituras, “resets” momentâneos ou sustentados pelo
tempo de exposição aos distúrbios,
podendo em condições extremas causar o travamento completo de sistemas,
devido a afetar o funcionamento de microprocessadores e/ou microcontroladores,
ou ainda a falha permanente do mesmo “queima”. Ou seja, a EMI pode chegar até
impedir o funcionamento de qualquer equipamento eletrônico, dependendo apenas de
sua intensidade e da imunidade do equipamento a ela. A EMI provoca ruídos
elétricos na alimentação, tanto dc como ac.
Por erros de leitura,
entende-se que podem haver interrupções momentâneas nas transmissões ou
recepções de dados.
Por falhas momentâneas,
entende-se que pode haver o travamento do equipamento ou sistema, com o mesmo
retornando a funcionar à partir de um Reset espontâneo (wathdog utilizado nas
CPUs) ou forçado (através do botão de reset – quando aplicável ou removendo-se
a alimentação do equipamento, aguardando-se alguns segundos e tornando-se a
ligar o mesmo).
Por falhas permanentes
entende-se que os efeitos da EMI, foram de tal magnitude que provocaram a
destruição de algum componente, estágio ou circuito inteiro em um equipamento.
Isto é muito mais difícil de ocorrer, mas é bem mais aceitável quando o
ocorrido desta forma é relativo a descargas elétricas atmosféricas.
O efeito de ruídos sobre a transmissão de
dados ocorre de acordo com a potência do ruído sob a qual o sinal é exposto, em
transmissões digitais, existe a taxa de erro de bits BER (bit error rate), onde
temos como indicador de desempenho o seguinte:
BER = bits recebidos com erro / total de bits transmitidos
Na transmissão de sinais analógicos, como na
telefonia, a potência do ruído pode ser ouvida na conversação pelo aumento do
nível de ruído psofométrico no canal de áudio. O indicador de
desempenho para um canal de áudio analógico é o nível de ruído psofométrico
(dB) induzido no mesmo.
Como em todo sistema, o nível de ruído pode variar e especificamente
neste caso, fica entre 300Hz e 3400Hz, que é parte da faixa da banda base do
canal de voz.
Como medir a EMI e em que valor esta se dá
Na
realidade esta é uma tarefa muito difícil, principalmente quando a mesma
encontra-se em baixos níveis, mas é totalmente possível, com alguns
equipamentos com antenas especiais, analisadores de espectro e outros. O mais
comum é se medir a taxa de erro provocada pela mesma (somente aplicável a
comunicações), e atuar-se em suas possíveis origens (em campos pequenos), mas
existem até empresas especializadas para este tipo de serviço. A maioria dos
equipamentos são uma espécie de rádio receptores que operam em uma faixa muito
larga de freqüências, e que possuem a capacidade de medir a intensidade do
nível desta freqüência (geralmente em mV/m ou V/m) e o valor da mesma, e
geralmente possam apresentar o resultado em um gráfico, como uma tela de
cristal líquido.
Para medir-se EMI que um equipamento esteja
supostamente gerando, deve-se obviamente antes de mais nada, além de se estar
de posse de um medidor adequado, desligar-se a máquina suspeita e medir a EMI
presente na ambiente na qual ela está e descontar-se os valores obtidos, ou
seja, se medimos algo como por exemplo 78mV/m, com a máquina ligada e com ela
desligada, temos cerca de 15mV/m no ambiente, sabemos que ela é então
responsável por gerar 63mV/m de interferência EMI. E o que isto quer dizer?
Depende muito de onde ela estiver operando, e próxima de que ela esteja
operando, mas deve-se saber também em qual faixa de freqüências (espectro),
ocorre esta EMI, para que se possa tomar as devidas precauções, mas como já
dissemos, para laudos precisos deve-se recorrer a empresas ou órgãos
especializados.
Métodos de redução de EMI em sistemas de cabeamento
· Balanceamento
do cabo (depende da
impedância característica da rede)
· Blindagem
do cabo
· Aterramento
· Características
do cabo
· Utilização
de dispositivos eletrônicos.
Porque balancear um cabo?
O que ocorre é que em qualquer ponto de um
canal de transmissão o nível de tensão entre um dos condutores e a terra deve
ser igual àquele entre o outro condutor e a terra, porém com inversão de fase,
desta forma, mantemos o mesmo nível de sinal nos dois condutores, e estando os
mesmos em oposição de fase, e a características do cabo, como efeito
capacitivo, a EMI “sentirá” maior dificuldade em propagar-se neste meio.

Internamente em um circuito elétrico ou
eletrônico, o mesmo em suas entradas e transformadores deverá ser projetado
para a mesma finalidade, balanceando-se desta forma a corrente diferencial e a
longitudinal em um circuito, temos um melhor desacoplamento de ruídos.

Blindagem
A blindagem é uma barreira metálica colocada
entre duas regiões no espaço e é utilizada para controlar a propagação de
campos elétricos e/ou magnéticos de uma das regiões do espaço para outras,
conforme sugere a figura.

Como a figura sugere, dentro das blindagens
não penetra a fonte de ruído externa, porém se o ruído for gerado internamente
a uma blindagem, ele também fica “preso”. A blindagem pode ser completamente
desligada do circuito (no ar e isolada), pode ser aterrada ou levada a algum
potencial, conforme a necessidade ou grau de proteção requerido.
Aterramento
O aterramento consiste em um ou mais condutores
metálicos apropriadamente com a terra. A correta utilização de um do
aterramento em sistemas de cabeamento estruturado podem resolver grande parte
dos problemas de ruído, além de que é um fator de segurança para o usuário.
Com o aterramento, conseguimos uma
referência de “0” volt para equipamentos ativos, bem como proteção para o
mesmo. Um aterramento adequado, além de minimizar os efeitos EMI também provoca
a redução da resistência em sistemas de cabeamento blindados, melhorando as
características destes sinais. O aterramento deve ser capaz de garantir um
equipotencial elétrico em uma residência, indústria ou simplesmente em um
equipamento elétrico ou eletrônico. Veja mais na NBR5410 (ABNT).
O aterramento elétrico também evita as ESD
(descargas eletrostáticas).
Deve-se procurar eliminar
ao máximo os Loops de terra.
Características dos cabos
O que ocorre é que existem
diversos tipos de cabos, para as mais diversas finalidades, assim como existem
cabos com malhas de aço, com a finalidade de impedir o ataque do mesmo por
roedores, também existem cabos específicos para se utilizar em comunicações, um
exemplo é o cabo utilizado em RS-485, o qual deve ser trançado, blindado e
shieldado, isto ajuda na rede, tornando-a mais estável e imune a certos campos
de EMI.
Como é captada ou emitida a EMI
As interferências eletromagnéticas EMI
comportam-se como ondas de rádio e possuem diversas formas de serem geradas,
que vão de um simples chaveamento elétrico a quedas de raios, a EMI pode também
ser gerada por inversores, por motores a estes ligados, em fim, existem
inúmeras formas de geração deste ruído, e ele se propaga no espaço, como ondas
de rádio (na verdade é uma onda) e é captado como tal.
Logo para detectá-la e visualiza-la em seu
espectro de freqüências e amplitude, o ideal é um analisador de espectro, com
uma antena adequada, o problema em detectá-la é que a mesma se transmite na
maioria dos casos aleatoriamente, não deixando uma “pista”, a não ser as
interferências que causou.
Ou seja, um bom exemplo para analisarmos
seria o de pensar como se tivéssemos um rádio receptor e se o nosso desejo
fosse de que ele não recebesse mais aquela certa emissora, somente aquela, pois
as outras não interferem em seu funcionamento. Então esta é a questão, como
eliminar somente uma certa faixa de freqüências.
Para começar, conforme o imaginado, já que é
um rádio, percebemos que deve existir uma antena. E é esta a questão principal,
pois a EMI pode ser transmitida de quatro formas, por acoplamento condutivo,
por acoplamento capacitivo (E), por acoplamento indutivo (H) ou ainda por
acoplamento eletromagnético (E, H).
A EMI é recebida ou transmitida por
eletroeletrônicos na maioria dos casos através do ar ou de seu cabeamento, o
qual irá funcionar como uma antena, emitindo ou recebendo estas interferências,
prejudicando outros equipamentos em sua proximidade. A potência da
interferência transmitida, também varia de acordo com a característica do
gerador, é como se o causador de interferência fosse realmente uma emissora de
rádio, possuindo assim uma certa potência e consequentemente um certo alcance.
Pelo ar então e por proximidade muito grande, dizemos que ocorre o acoplamento
capacitivo (E), estando a sua maior ocorrência no interior de instrumentos
eletroeletrônicos e transformadores de todas as potências, onde o sinal que foi
captado é transmitido por proximidade, exatamente da mesma forma como funciona
um capacitor (capacitância entre os enrolamentos de trafos).
A EMI também é transmitida através do
acoplamento condutivo, na forma de ruídos (pequenos ou grandes picos captados)
em linhas de corrente contínua ou alternada, as linhas funcionam como antenas e
os fios por conseqüência acabam conduzindo estas interferências.
A transmissão de energia eletromagnética quando se
dá por condução direta (através de fios e cabos elétricos) depende de meio
físico para se propagar (e por isso é mais fácil de ser contida).
Na forma indutiva, ela é transmitida como o
próprio nome já diz, através de acoplamento indutivo (H), o que quer dizer que
entre fios próximos, por exemplo, pode ocorrer este tipo de transferência (mais
uma vez os fios funcionando como antenas).
E finalmente na sua forma mais pura, ou seja
completa, com sua componente elétrica e sua componente magnética (E, H), a EMI
se nota mais desta forma, e é nesta forma que ela encontra os meios de melhor
se propagar, sendo assim, sua forma mais crítica, pois aqui ela se comporta
como ondas de rádio e foi desta forma que ela foi descoberta, durante a segunda
guerra mundial, quando as bombas atômicas caíram sobre o Japão, o que houve
logo após foi um grande problema de interferência eletromagnética, devido a
fissão atômica e outras características físicas, as quais geraram uma grande
onda eletromagnética que interrompeu e danificou todo o tipo de instrumentos
eletroeletrônicos, mesmo onde o efeito da radiação e da explosão em si não
chegaram, esta onda chegou, impedindo praticamente todos os tipos de
telecomunicações (Veja como referência o filme O dia seguinte, o qual traz um retrato dramático, porém muito realístico dos efeitos
nucleares, destacando-se no mesmo o efeito da EMI em praticamente tudo com o
que o homem convive hoje) por várias semanas, sendo que dependendo da
conseqüência, este efeito poderia durar meses ou anos.
Então concluímos que a forma mais fácil de
se emitir ou de se receber um ruído é através de um fio ou cabo, o qual
funciona como uma antena. Os cabos de alimentação de uma máquina, até chegarem
ao quadro de distribuição, percorrem uma distância de vários metros, funcionando
assim como antenas transmissoras e receptoras de EMI.
No Brasil existem alguns laboratórios aptos
a realizar testes de compatibilidade eletromagnética, dentre eles, podemos
citar O NMI (Nederland Meter Institute), que situa-se em campinas, e fica alojado
no interior da IBM, temos também o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas
espaciais) em São José dos Campos, Labelo - PUCRS, dentre outros.
Estes laboratórios possuem câmaras próprias
para análise do efeito das EMI, estas câmaras são suspensas do chão, na maioria
dos casos possuem tamanhos suficientes para um caminhão de grande porte em seu
interior, possuem também paredes metálicas, com espessura de quase um palmo e
são totalmente lacradas, além de que ficam dentro de salas próprias com uma boa
espessura de concreto em suas paredes, fazendo-se assim um verdadeiro ambiente
sem qualquer interferência eletromagnética.
Onde se realizam ensaios de compatibilidade
eletromagnética (emissão e imunidade) em equipamentos militares, de
telecomunicações, de informática, automotivos, de processos industriais e
eletrodomésticos, de acordo com normas internacionais, tais como: MIL-STD
461/462, IEC 61000-4-x, CISPR 18, VED, FCC, IEEE, SAE, etc, na faixa de
freqüências geralmente de 10 Hz a 20 GHz (dependendo do laboratório), com
geração de campo eletromagnético de até 400 volts/metro.
Exemplo de interferência causada por
telefones celulares
Um telefone
celular que esteja operando com uma potência de 600 mW estará produzindo, a um
metro de distância, um campo elétrico de aproximadamente 4,3 V/m:

A potência
dos telefones celulares se ajusta
automaticamente dependendo da intensidade do sinal da rádio-base, sendo tipicamente 600 mW. Já os rádio-comunicadores
usados em manutenção e segurança operam sob potências constantes, que podem
atingir até 3 W.
A ocorrência de EMI em equipamentos, causada
por celulares, depende de:
a) Polarização da antena transmissora (posição relativa da
antena);
b) Distância entre o telefone e o aparelho
interferido;
c) Potência de emissão (nível de comunicação
com a rádio-base);
d) Face do equipamento exposto (capacidade de
blindagem da caixa);
e) Condições de operação de cada equipamento.
Para se ter idéia do problema que representa
um celular, vamos ilustrar a tela de um marcador cardíaco (equipamento médico).

Temos então o seguinte:
A) Forma de onda sem alteração
B) Telefone celular a 20cm do equipamento
C) Telefone celular a 1m do equipamento
Estudos recentes, divulgados no jornal Physics in
Medicine and Biology do Institute of Physics aponta que os celulares da nova
geração podem interferir no funcionamento dos marcapassos. Segundo a pesquisa,
o celular é capaz de desrregular o dispositivo implantando em pacientes com
complicações cardíacas. O mesmo foi
verificado pelo Italian Institute Health, o qual afirma que os sinais de baixa
freqüência enviados pelos celulares da nova geração podem ser confundidos com
os sinais elétricos do coração. O instituto ressalta que os marcapassos
equipados com filtro de cerâmica estão imune ao problema.
Como são testados os equipamentos dentro
destas câmaras?
As câmaras além da espessura de
suas paredes, possuem em seu interior e ao longo de todas as suas paredes e
teto, formas cônicas dispostas lado a lado ou seja, são paredes com enormes
cones colados uns aos outros, nas paredes e no teto, de um material especial, o
qual dificulta a passagem de interferências eletromagnéticas de tal forma que
qualquer que seja a interferência produzida no interior da câmara, esta não se
propague além da mesma.

Geralmente a câmara possui uma
parte do chão (em forma de um grande círculo) móvel, na qual o instrumento é
montado e testado. Então na situação de testes, esta parte móvel faz com que o
instrumento gire de tal forma que o mesmo possa ser testado em 360 graus.
Os ensaios são realizados
respeitando-se normas técnicas adequadas aos produtos em teste, sendo assim,
existem normas e os chamados graus de severidade para cada caso. Podemos citar
por exemplo a IEC1000 (cujo a nova versão é a IEC61000),
Um exemplo de teste seria,
usando-se a IEC1000-4-3 fazer um teste na faixa de 27 a 200MHz, com o nível de
severidade 3 (com o número do nível de severidade, aumenta a “potência” da onda
(em V/m)). Assim, um equipamento pode passar em um determinado grau de
severidade e em outro não, o que seria perfeitamente normal. Porém devemos
entender passar como sendo o que?
Na verdade este “passar”
depende muito do fabricante do equipamento, pois passar tanto pode significar
que sob teste não aconteceu nada, como ocorreu uma falha, ou algumas falhas,
mas o equipamento definitivamente não queimou, ou não travou, ou ainda o
fabricante pode dizer que o seu equipamento pode possuir um erro (aquela taxa
BER) de no máximo até x falhas para tal velocidade de transmissão ou recepção
de dados, o que é muito comum, em se tratando de equipamentos de
telecomunicações.
Daí então são estabelecidos
critérios para o trabalho do produto, sob a influência daquela faixa de
freqüências, como por exemplo:
· Passa
= nenhuma anormalidade constatada; ou
· Atende = erros
transparentes ao usuário (erros de comunicação instantâneos, com recuperação
imediata, não sendo observados ou significativos)
· Falha = erros ou
falhas que causem problemas, que tornem-se evidentes ao usuário, como falhas
graves na comunicação, oscilações em parâmetros medidos, sendo ou não
necessário resetar um equipamento para que volte a funcionar.
· Não atende = Perda de
comunicação permanente ou travamento por completo ou ainda circuitos
eletroeletrônicos danificados parcialmente ou permanentemente devido a
destruição de componentes eletrônicos.
Seguindo-se a IEC1000-4-3, temos a tabela
abaixo, com os graus de severidade estabelecidos pela norma.
|
Severidade
|
Intensidade de campo (V/m)
|
|
1
|
1
|
|
2
|
3
|
|
3
|
10
|
|
X
|
Especial
|
Nos testes são utilizados habitualmente
diversas antenas, atenuadores, adaptadores, pré-amplificadores e amplificadores
de RF de altíssima qualidade, para se garantir a fidelidade do sinal
emitido/recebido. No interior da câmara de ensaios também existe uma câmara
filmadora, a qual geralmente é móvel e fica posicionada para o instrumento sob
testes, filmando-o, de tal forma que o mesmo possa ser assistido do lado de
fora, pelas pessoas que acompanham o ensaio.
Abaixo temos fotos de alguns exemplos de
antenas utilizadas nos ensaios.


Na ocasião dos testes, o equipamento sob
teste deve ser instalado dentro da câmara de EMC, os cabos de ligação do
equipamento sobre teste, devem sair destes até os instrumentos de apoio que
fazem o equipamento sobre teste funcionar.
Um exemplo é o teste sendo realizado em um
monitor de vídeo, ou seja este precisa do cabo de sinal, do cabo de
alimentação, de um computador (PC ou similar), o qual precisará de teclado,
etc.
O equipamento em teste (monitor) deverá
ficar no centro daquele circulo que gira no interior da câmara, geralmente
sobre uma mesa de madeira ou outro material que seja isolante elétrico e
magnético, enquanto que os equipamentos de apoio devem ficar em uma parte
dentro da câmara de EMC protegidos por material adequado (geralmente dentro da
câmara existe uma área reservada à este tipo de instrumentos, protegendo-os).
Então, depois que tudo esta montado no
interior da câmara, o equipamento é posto em funcionamento normal (por
funcionamento normal quer dizer que nas mesmas condições de uso, ou seja é só
imaginar como se usa um monitor de vídeo convencional, a única diferença é que
este está com seus cabos com razoável comprimento, devido ao local que tem de
ficar em relação ao PC*) e depois iniciam-se os testes, pode-se observar os
efeitos dos campos magnéticos sob o monitor visualizando-se um monitor de vídeo
que esteja ligado aquela câmara filmadora que está lá dentro.
Dependendo da freqüência e da amplitude do
sinal, podem ser percebidas distorções na imagem e caso o cliente deseje pode
ser realizado um teste para verificação de até onde o equipamento sob teste
agüenta (teste destrutivo), mesmo quando se ultrapassam as condições
estabelecidas na norma.
Abaixo, vistas de uma câmara de EMI e
antenas.

* Deve ser lembrado que normalmente pode-se
observar no cabo de dados de qualquer monitor de vídeo, próximo ao corpo do
monitor e próximo ao corpo do PC que existem montados supressores de EMI, os
quais já são injetados, no próprio cabo na ocasião em que este é montado,
ficando apenas estas duas partes mais grossas neste cabo.
Um exemplo prático
Medindo-se o nível de EMI conduzida pela rede em uma fonte de alimentação
A principal motivação
para que se exija um limitante para a EMI que um equipamento injeta na rede é
evitar que tal interferência afete o funcionamento de outros aparelhos que
estejam sendo alimentados pela mesma rede. Esta susceptibilidade dos aparelhos
aos ruídos presentes na alimentação não está sujeita a normalização, embora
cada fabricante procure atingir níveis de baixa susceptibilidade.
A medição deste tipo de interferência é feita através de
uma impedância (LISN – Line Impedance Stabilization Network) colocada entre a
rede e o equipamento sob teste, cujo esquema é mostrado logo abaixo. A
indutância em série evita que os ruídos produzidos pelo equipamento fluam para
a rede, sendo direcionados para a resistência de 1kW, sobre a qual é feita
a
medição (com um analisador de espectro com impedância de entrada de 50W). Os eventuais ruídos presentes na linha são desviados
pelo capacitor colocado do lado da rede de 1µF, não afetando a medição.
Esta impedância de linha pode ser utilizada na faixa
entre 150kHz e 30MHz, que é a banda normalizada pela CISPR. A faixa entre 10kHz
e 150kHz é definida apenas pela VDE, estando em estudo por outras agências.
Nesta faixa inferior, a LISN é implementada com outros componentes.

Também são feitas as distinções quanto à aplicação e ao
local de instalação do equipamento. A figura abaixo mostra estes limites para a
norma CISPR 11 (equipamentos ISM). O ambiente de medida é composto basicamente
por um plano terra sobre o qual é colocada a LISN.
Acima deste plano, e isolado dele, coloca-se o
equipamento a ser testado.

Acima, limites de EMI conduzidas pela norma CISPR 11 (equipamentos de uso Industrial,
Científico e Médico - ISM)
As elevadas
taxas de variação de tensão presentes numa fonte chaveada e correntes pulsadas
presentes em estágios de entrada (como nos conversores para correção de fator
de potência) são os principais responsáveis pela existência de IEM conduzida
pela rede.
No caso das correntes pulsadas, esta razão é óbvia, uma
vez que a corrente presente na entrada do conversor está sendo chaveada em alta
freqüência, tendo suas harmônicas dentro da faixa de verificação de EMI
conduzida.
· A utilização de certos dispositivos eletrônicos
Podemos utilizar diversos dispositivos eletrônicos
para proteção de circuitos, não só protegendo-os contra a EMI, mas também
outros surtos, transientes e flutuações de pequena, curta e muito curta duração
de tempo. Existe um dispositivo adequado para cada situação, um exemplo são os
varistores que atuam em intervalos de segundos à ms (mili segundos), enquanto
os tranzorbs, atuam em intervalos de ms à us (micro segundos dependendo das
características de cada um), existindo também os ferrites (núcleos de toróides
semi elipticos ou de formas excêntricas) destinados a bloqueios da ordem de us
ou ns (nano segundos), vamos falar mais especificamente sobre eles:
Varistores – Estes atuam somente para variações lentas de energia, não protegendo
os circuitos contra a EMC, eles atuam somente em variações da ordem de segundos
a milisegundos, servindo apenas como proteção para sobretenção, mas para isto
deve-se apenas ter o cuidado de se projetar o fusível ou o restante do circuito
de forma adequada, para que o varistor funcione de forma efetiva, lembrando-se
que o valor de tensão de atuação do mesmo, nem sempre é o que está indicado no
corpo do componente, devendo-se verificar sempre a curva de atuação e a
potência requerida.
Transorbs – São uma espécie de diodos zenner super rápidos (em relação a zenner
normais), atuam na ordem de ms à us, desta forma, consegue ajudar na eliminação
de EMI de baixas freqüências, em modo conduzido. Deve-se não apenas tomar o
cuidado de se especificar a tensão e a potência necessárias, mas também
observar-se que estes componentes geralmente possuem polaridade, como os diodos
e dependendo do que se deseja proteger, deve-se utilizar tranzorbs em contra
polaridade* (para torná-los bipolares), ou seja catodo com catodo ou anodo com
anodo.
* Existem transorbs bipolares, é como se já
houvessem 2 em contra polaridade em um único encapsulamento.
Placas de circuito – O lay-out de uma placa de circuito
impresso é de vital importância para o confinamento de campos e conseqüente
desacoplamento magnético. Nos circuitos de interface com o meio externo (alim.
Auxiliar, comunicação, I/O de sinais, etc), as trilhas de terra ligadas a massa
devem ser largas e curtas, as trilhas de sinal devem percorrer a face oposta a
este terra. Os componentes responsáveis por by-pass de corrente de surto ou
ruído devem possuir terminais e trilhas o mais curto possível.
Caixas e gabinetes – As caixas e gabinetes de equipamentos
devem seguir a linha ”moderna” sempre que possível – Tudo curvo. Uma caixa ou
gabinete não deve possuir pontas em sua estrutura, pois estas podem servir como
antenas transmissoras de interferências. Frestas também devem ser eliminadas,
para que não se penetre nem saia nenhuma EMI, se necessário, por causa do
calor, na parte interior do gabinete deverá haver uma tela metálica aterrada. O
material ideal para a confecção de gabinetes com proteção para EMI é metal,
caso contrário, deverá ser pintado com tinta condutora. O gabinete deverá ser
preferencialmente de aço, e deve possuir todas as suas partes aterradas.
Deve-se sempre ter em mente que a EMI é uma onda eletromagnética de alta
impedância (campo E), e devido a baixa impedância de um metal, quando esta onda
atinge o metal, devido a diferença de impedâncias, a EMI é refletida sobre a
“malha”, não havendo assim nenhuma absorção pelo circuito. Devemos lembrar que
absorções de energia somente ocorrem quando temos impedâncias “casadas” ou pelo
menos próximas.
O gabinete metálico não pode apresentar
deficiência no contato elétrico entre suas partes (corpo, painel, fundo, etc),
pois uma deficiência prejudica a ação da blindagem, ou seja, em um gabinete
pintado, anodizado ou com qualquer outra proteção isolante, as partes metálicas
em contato não devem possuir tinta.
Filtros RC (circuito Snubber) – O acionamento de contatoras, relés, tiristores e
outros tipos de chaves estáticas e eletroválvulas, também pode produzir EMI, e
nestes devemos empregar o circuito Snubber de proteção. Este circuito nada mais
é do que uma ligação de um resistor e um capacitor em série e os dois em
paralelo com o dispositivo a ser “filtrado”, este circuito ajuda a filtrar
variações de tensão (dv/dt) típicas de cargas individuais. Alguns fabricantes
como a Siemens, a LCR e outros possuem o Snubber encapsulado na forma de um
único componente (sem polaridade é claro), o que facilita a sua instalação (os
valores típicos são R= 100W e C= 0,1uF).
Abaixo exemplos de capacitores e snubbers.

Pintura condutora – É realizada geralmente no interior de
instrumentos que possuem a caixa em ABS ou outro material plástico, a tinta
condutora funciona como uma blindagem no equipamento e deve ser prevista pelo
projetista se o equipamento for utilizado em locais com grandes incidências de
EMI, internamente ao instrumento esta “blindagem” deve ser aterrada, através de
contato mecânico.
Toróides (supressores de EMI) – A técnica de aplicação de núcleos toroidais em
certos equipamentos reduz bastante a emissão ou a recepção de EMI. Estes
toróides devem ser aplicados em cada situação, de uma forma diferente. Os
núcleos toroidais, possuem também diversos diâmetros, mas para se utilizar bem
um núcleo na eliminação de uma determinada interferência, o ideal seria
conhecer a freqüência correta que se deseja cortar, pois estes variam muito seu
dimensional físico e a pesar de ser o mais eficiente contra EMI, pode não
resolver o problema se não for utilizado corretamente, são chamados toróides
Fair-Rite (toróides para altas freqüências).
Um toróide é composto de um material
ferromagnético de tal forma que este apresente uma certa resistência ohmica, de
acordo com a freqüência à qual esta sendo submetido. É claro que também leva-se
em conta diâmetro interno, externo e o comprimento físico do mesmo, além de
suas características ou curvas de resposta, que variam de acordo com o material
constituinte do toróide.
Alguns fabricantes de
toróides são a TDK, Thornton, Chomerics, ETEK, etc.
Os melhores toróides, para
esta finalidade (eliminar EMI) tem como características principais, sua
composição, a qual deve ser um ferrite macio e rico em níquel e zinco, e
preferencialmente trabalham em freqüências de 30 ~ 200MHz.

Como já vimos, uma interferência de EMI comporta-se
como uma onda de rádio no espaço, então devemos nos lembrar das antenas de
rádio e de TV, onde estas são constituídas de um material que possa absorver
mais o espectro de freqüência da sua faixa específica de trabalho, assim temos
antenas para VHF, UHF, AM, FM e outras, más é claro que assim também são os
núcleos, dependendo da natureza do material utilizado ele terá uma melhor
resposta em uma determinada faixa de freqüências, sendo assim, uma das
características mais importantes do núcleo é a sua constituição química, mas
devemos lembrar também que sua constituição física, ou seja o formato e o
tamanho também influenciam em sua faixa de resposta.
Principalmente quando não se conhece a faixa
exata que se deseja eliminar, o método de testes é completamente empírico,
expondo-se o circuito em análise a EMI e se testando com alguns tipos de núcleo
de tamanhos diferentes, ou de iguais tamanhos e em diversas posições dos cabos,
verificando-se onde ocorre melhor atenuação do sinal desejado. Deve-se notar
que o efeito de proteção também pode variar de acordo com a quantidade de
núcleos utilizados (usar núcleos em série) e também diversos núcleos afastados
uns dos outros e ainda, utilizando-se distâncias diferentes entre a extremidade
do núcleo e o terminal de ligação do instrumento que se deseja proteger.
Como e onde utilizar núcleos toroidais
Visando reduzir a emissão de EMI, estes
núcleos devem ser utilizados nos cabos de potência AC dos equipamentos, sendo
que a montagem do mesmo deve variar conforme o caso, mas geralmente os toróides
são montados na extremidade mais próxima ao aparelho e na extremidade onde o
mesmo é alimentado, passando-se os fios de alimentação auxiliar pelo interior
do núcleo, uma vez, duas ou mais, conforme o caso e o problema a ser resolvido.
Na verdade como os cabos funcionam como “antenas”, então o ideal seria que se o
cabo fosse grande e se tivesse certeza de que este é responsável por determina
emissão, o mesmo deveria além de ser blindado e aterrado, possuir os toróides
não só em suas extremidades, mas também no decorrer de seu comprimento, é claro
que para se chegar a uma conclusão correta, precisa-se saber qual o comprimento
exato do cabo, as freqüências emitidas e a amplitude do sinal em questão.
Na recepção de sinais que apresentem erros
devido a EMI, deve-se da mesma forma, utilizar toróides em terminais de
comunicação de dados e pequenos sinais de controle críticos, uma das redes mais
suscetíveis a interferências eletromagnéticas é a rede padrão RS-485, a qual é
composta de um par de fios trançados e que pode se estender por até 1Km, sem
repetidores, o que a torna de certa forma frágil é a sua utilização na
indústria, que é justamente onde existem máquinas que geram a EMI, provocando
por indução ou irradiação a “contaminação” desta rede, prejudicando assim os
sinais transportados, em virtude disto, tem-se as seguintes recomendações para
esta rede:
a) O cabeamento da rede deve ser de bitola
AWG22, de boa qualidade (com isto entende-se uma baixa resistência ohmica),
além do mesmo ser trançado e blindado.
b) A malha de blindagem do cabo deve ser
aterrada nas suas extremidades e se possível também nos pontos de nó da rede.
c) A rede deverá possuir resistor terminador na
sua extremidade final, visando balancear a impedância do cabeamento.
d) Em ambientes industriais é recomendável a
utilização de supressores de EMI (toróides), no início da linha, no final da
linha e em todo nó da RS-485, visando visando eliminar os efeitos da EMI.
e) Não se deve passar o cabeamento da rede nos
mesmos dutos por onde passam sinais de tensões altas ou de maior potência, deve
preferencialmente alojar a rede RS-485 em um duto somente de comunicações, onde
podem haver até outras redes e sinal telefônico, mas nunca sinais de tensões
e/ou correntes.
f) Os cabos da rede devem passar
preferencialmente por locais afastados de motores, se isto for inevitável, o
duto por onde o cabo passar deverá ser de metal e deve estar completamente
aterrado.
g) O ambiente deve ser sempre observado
cuidadosamente, e devemos sempre levar em conta influências que este pode
ocasionar e que as EMI são muitas vezes aleatórias.
h) O enrolamento feito nos toróides devem
possuir baixa capacitância (poucas voltas), sendo habitualmente de duas espiras
bifilares, afastadas entre si.
Loops de terra – o que são e como surgem
Um
Loop de Terra é uma corrente que passa por um condutor, criada pela diferença
de potencial entre os pontos aterrados, como em dois edifícios conectados por
uma RS-485 ou outra linha de dados. Quando um aparelho como um PC é conectado a
outro, como um mainframe, e seus potenciais são diferentes, a tensão vai de
alta para baixa, viajando através do cabo de dados. Se o potencial de tensão
for grande o suficiente, seu equipamento poderá não suportar o excesso de
tensão e a porta do seu PC ou mainframe será danificada. Um pico de energia ou
impacto causado por relâmpago nas redondezas, causará danos repentinos - chips
queimados e carbonizados. Um loop de terra, no entanto é uma condição
ininterrupta a longo prazo que, lentamente, aquece e depois cozinha seus
circuitos, até que eles fiquem carbonizados e “queimem” a placa do circuito ao
redor deles, ela fica com aspecto de quem foi torrada, Depois, os chips e
depois o sistema falha. Não se pode testar os loops de terra nem saber se eles
estão acontecendo até que um componente vital quebre. Ações apenas preventivas
- como um protetor anti-surto - não são suficientes, pois protegem somente
contra surto ou pico, mas não contra as incidências lentas e danosas que um
loop de terra provoca.
A
melhor prevenção contra os problemas de loop de terra é usar isolação ótica ou
cabo de fibra ótica ao longo de todas as suas linhas de dados, ou em último
caso se ter sempre uma longa malha de terra acompanhando toda a instalação.
Cuidados no projeto de transformadores também ajudam a
reduzir problemas de interferências, a blindagem eletrostática utilizada para diminuir
a interferência entre enrolamentos primários e secundários (acoplamento
capacitivo), onde existem baixas correntes de fuga entre enrolamentos, é
indicada em equipamentos médicos e em situações onde há ruído elétrico presente
na rede ou no equipamento. Essa blindagem é formada por uma camada condutiva
entre enrolamentos primários e secundários (preferencialmente uma fita de zinco
e em alguns casos de cobre), a qual deve ser conectada ao aterramento do
circuito e/ou da rede elétrica.
Para
reduzir a Irradiação magnética em
muito sensíveis, pode-se ainda adicionar uma blindagem magnética ao redor do
transformador, diminuindo todas as possibilidades de interferência
eletromagnética em componentes sensíveis.
Comunicação optica
O que é totalmente imune a distúrbios
eletromagnéticos, são os sinais opticos, então, com o desenvolvimento de
sistemas de comunicação a fibras opticas, ganha-se total imunidade a
interferências magnéticas de todos os tipos. É verdade que alguns raros tipos
de fibras opticas sofrem distorção com campos magnéticos, mas estas são casos
especiais, pois as mesmas suportam bem todas as interferências
eletromagnéticas, podendo inclusive (apesar de não recomendado) passar por
áreas de altas tensões e altas correntes, áreas com grandes campos magnéticos,
próximo a motores, geradores de RF, sem provocar alterações nos sinais
transportados.
Então a idéia para o futuro é que existam
instrumentos mais imunes e que gerem menos interferência. Hoje em dia, independente
de um instrumento receber sinais de tensão, corrente, alimentação auxiliar,
comunicação e outros, sabe-se que os meios mais sensíveis a interferências são
as entradas de alimentação auxiliar e as interfaces de comunicação,
principalmente se via rádio freqüência ou cabo de dados. São estes os locais
que devemos trabalhar com maior afinidade, para que possamos ter um instrumento
elétrico ou eletrônico, com excelentes qualidades.
Conclusão
Como devemos realmente proceder para
resolver um problema de EMI?
Na verdade, praticamente todas as técnicas
aqui expostas ajudam a eliminar as EMI recebidas ou transmitidas. Para se
resolver um problema causado por EMI, deve-se com certeza procurar se conhecer
ao máximo a freqüência principal que se deseja eliminar.
É necessário utilizar todos os recursos
possíveis, ou seja, devemos possuir um sistema blindado e muito bem aterrado,
além de usar supressores de EMI e se possível transformadores isoladores, nas
alimentações dos circuitos.
Os usuários dos equipamentos devem ser
treinados, adquirindo a habilidade de reconhecer o problema. Sempre que
possível é interessante que exista uma pessoa no corpo técnico capaz de
detectar com mais exatidão as possíveis causas.
Observações importantes:
Os fabricantes de rádio-comunicadores
recomendam uma distância mínima de 15 cm entre um rádio portátil sem fio (que
siga as normas do FCC) e um marcapasso. Isto também é recomendado pela Wireless
Technology Research, que diz:
a) As pessoas que usam marcapasso devem sempre
manter os rádios a no mínimo 15 cm de seu marcapasso, quando o rádio estiver
ligado.
b) Não transportar o rádio em bolsos próximos
ao peito.
c) Usar o ouvido oposto ao marcapasso, para
minimizar qualquer possibilidade de interferência.
d) Desligar o rádio imediatamente, se houver
suspeitas de interferência.
Quanto a aparelhos auditivos:
Sabe-se que alguns aparelhos auditivos podem sofrer interferências de
rádios, deve-se consultar o fabricante.
Outros aparelhos médicos:
Deve ser sempre consultado o fabricante para se saber se o mesmo é
protegido contra energia de RF.
Recomenda-se que os
aparelhos emissores de RF sejam sempre desligados, no interior de aviões,
hospitais, ambientes médicos e locais potencialmente inflamáveis (postos de
gasolina, instalações de estocagem de gás, etc), com a finalidade de eliminar
possíveis ocorrências de falhas em equipamentos vitais, incêndios ou até mesmo
explosões e morte. Nestes locais somente poderão ser utilizados equipamentos,
específicos para estas finalidades, aprovados pela Factory Mutual, CSA ou UL.
A norma EIA/TIA 569A retirou dos seus anais, quando
da sua revisão publicada em fevereiro de 98, uma tabela na qual ela sugeria
separações mínimas entre redes de telecomunicações e de energia de acordo com a
potência do circuito de energia e da presença ou não de materiais metálicos na
infra-estrutura. Hoje, para o cabeamento horizontal e circuitos de energia até
240V-20A, ela determina uma separação mínima entre as duas redes, bastando que
elas não compartilhem a mesma infra-estrutura. Recomenda também separações
maiores, uso de blindagens e uso de protetores contra transientes quando da
existência de outras fontes de campos eletromagnéticos (grandes motores,
transformadores, reatores, fontes de RF, geradores de arcos, etc).
Textos de
Eng. Mílton de S. Pessoa
Elaborados com base nas normas:
IEC1000-4-3:
IEC61000-6-5: Immunity for power station and substation
environments (antiga NORM13 da UNIPEDE, para a categoria de subestações de
média tensão – até 36,5kV)
IEC 1000-3-2: "Electromagnetic
Compatibility (EMC) - Part 3: Limits - Section 2: Limits for Harmonic Current
Emissions (Equipment input current < 16A per phase)". International
Electrotechnical Commision,, First edition 1995-03.
International
Standard CISPR11, International Commite on Radio Interference: "Limits and
Methods of Measurements of Electromagnetic Disturbance Characteristics of
Industrial, Scientific and Medical (ISM) Radio-frequency Equipment", 1990
Outras normas técnicas utilizadas:
CISPR 14, Eletrodomésticos;
CISPR 15, Lâmpadas e reatores;
CISPR 17, Filtros de linha;
CISPR 22, Equipamentos de tecnologia da informação
EN61326-1 -> Eletrical equipment for measurement
control and laboratory use – EMC requirements. – Especifica os critérios de
emissões máximas e requerimentos de imunidade para equipamentos de medição e
controle utilizados em laboratórios, com entradas em 1000Vca ou 1500Vcc. É
aplicável a processos de medição e controle industrial (esta norma apenas
define limites para emissões e imunidade, chamando normas básicas de EMC).
Documentação de testes realizados em transdutores
digitais e experiências práticas para eliminação de ruídos de altas
freqüências.
Textos também retirados de manuais de celulares e
rádio-comunicadores.
Bibliografia
Livro: Introduction to Electromagnetic
Compatibility, de Paul Clayton – ISBN
Livro: A COMPATIBILIDADE ELETROMAGNÉTICA, de Ara
Kouyoumdjian